
Igreja Católica
Leão XIV, Fulton Sheen e o Coração Católico da América
Greg Cook (Crisis Magazine)
11 fev. 2026
Tempo de leitura: 5 minutos
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Todo estado americano se orgulha de seus filhos ilustres. Illinois não é exceção, e sua lista inclui líderes americanos do mais alto nível: Lincoln, Reagan, Sheen e agora Robert Prevost (Papa Leão XIV). Até a recente eleição papal, o Venerável Sheen era provavelmente a figura católica americana mais reconhecida. Mas, em vez de enxergarmos um homem sendo superado por outro no imaginário popular, devemos ver a ascensão de um papa nascido nos Estados Unidos como uma continuidade do legado de Sheen sob diversos aspectos.
Dois elementos dessa lista não surpreendem: o engajamento com o mundo para a proclamação de Cristo e a devoção pessoal a Maria. Dois outros vínculos entre Sheen e o novo papa são menos evidentes: a apreciação de ambos pelas Igrejas Católicas Orientais e o fato de que o papa foi eleito no aniversário de Sheen, 8 de maio. Uma última questão a respeito desses dois eclesiásticos de Illinois poderia ser: abrirá Leão o caminho para a causa de beatificação de Sheen, atualmente estagnada?
Sheen utilizou seu intelecto prodigioso, sua erudição e suas habilidades retóricas para alcançar a América e o mundo, pregando Cristo crucificado. Em seus numerosos livros, bem como em seus programas de rádio e televisão, ensinou o povo sobre muitos aspectos da fé — incluindo a Santa Missa, os sacramentos e a Santíssima Virgem Maria, a Senhora a quem sempre exaltou.
O Papa Leão, em sua primeira mensagem ao mundo após a eleição, ofereceu uma mensagem de paz — paz por meio de Cristo: “A paz esteja convosco! É a paz do Cristo ressuscitado.” O frade agostiniano tomou seu lema papal de Santo Agostinho: In Illo Uno Unum (“No Único, somos um”). Desenvolvendo esse chamado a uma unidade centrada em Cristo, Leão, em encontro com católicos orientais, celebrou sua perseverança e sua dedicação à excelência litúrgica.
A estima de Leão pelas Igrejas Orientais, por suas contribuições à Igreja Universal e por seu patrimônio litúrgico era partilhada por Sheen. O biógrafo de Sheen, Thomas C. Reeves, em America’s Bishop: The Life and Times of Fulton J. Sheen, descreve brevemente o envolvimento de Sheen na divulgação da Divina Liturgia de São João Crisóstomo a um público mais amplo. Isso ocorreu em 1956. “A celebração de Sheen marcou a primeira Missa Pontifical cantada em inglês e a primeira, no Rito Bizantino, celebrada — com permissão especial do Vaticano — por um bispo de Rito Latino” (p. 248). O fato foi inclusive noticiado pelo The New York Times. (Os curiosos podem encontrar uma gravação de Sheen comentando outra liturgia bizantina.)
Em 2013, no ano seguinte à minha recepção na Igreja Católica, vindo da Ortodoxia Oriental, minha esposa e eu, em uma viagem a Illinois para visitar a família dela, visitamos o museu de Sheen em Peoria. Fiquei impressionado ao ver, entre os muitos artefatos fascinantes, as vestes orientais de Sheen. Senti-me confirmado em minha decisão de “atravessar o Tibre” e esperançoso por uma melhor compreensão entre Oriente e Ocidente.
Retornando a 2025, muitos comentaristas destacaram o fato de que o Cardeal Prevost foi eleito ao papado na festa de São Miguel Arcanjo e de Nossa Senhora de Pompeia. Como já mencionado, era também o aniversário do Venerável Fulton Sheen. O que passou quase despercebido é que 8 de maio, no calendário bizantino, é a festa de São João Evangelista e Teólogo. São João é o teólogo por excelência entre os apóstolos. Entre seus atributos notáveis estão: ser o apóstolo que Jesus amava, o único que permaneceu junto à Cruz, o filho adotivo e guardião da Santíssima Mãe e o mestre de santos orientais como São Policarpo. Em todos esses aspectos, ele serve como modelo esplêndido para o Papa Leão, bem como ponte entre Oriente e Ocidente.
Mais próximo de casa, poderá o papa de Chicago olhar com benevolência para o processo paralisado de beatificação de seu confrade de Illinois? Dois obstáculos para o prosseguimento da causa do grande prelado americano parecem agora superados. O Papa Francisco parecia nutrir pouco apreço pelos Estados Unidos e por seus católicos. Pode-se esperar que o Papa Leão, mesmo após vários anos na América Latina, não seja reflexivamente antiamericano. Além disso, as disputas jurisdicionais sobre o local de sepultamento do corpo de Sheen foram resolvidas. O Papa Leão já utilizou o inglês em alguns de seus compromissos e podemos esperar que, além do idioma, apresente a um mundo cético quanto à influência americana — e inclinado a mal compreender os americanos — um filho da América como expressão do que há de bom no caráter americano.
E que modelo melhor, de uma geração anterior de católicos americanos, do que Fulton Sheen? Sheen descendia de imigrantes irlandeses, cuja história é amplamente conhecida. Os antepassados do Papa Leão narram histórias de outros grupos de imigrantes: italianos, franceses, espanhóis e crioulos. Os católicos orientais, tão elogiados por Sheen e por Leão, representam ainda outro conjunto de histórias de grupos étnicos que mantiveram a fé na diversidade e na unidade. É a história americana, mas é também a história dos católicos em todo o mundo.
Fulton Sheen fez muito para demonstrar que o catolicismo é compatível com ser dos Estados Unidos. O Papa Leão pode construir sobre esse fundamento. Como nação, podemos justamente orgulhar-nos dos santos que aqui trabalharam e morreram: os Mártires Norte-Americanos, Santa Elizabeth Ann Seton, Santa Francisca Xavier Cabrini, Santa Kateri Tekakwitha, São João Neumann e Santa Katharine Drexel. Podemos ver como grupos de imigrantes trouxeram para cá suas liturgias e costumes católicos orientais. Cabe agora a nós, Igreja Militante, reconhecer que as pradarias de Illinois e a “metrópole da natureza” (Chicago) floresceram.
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