
Eclesiologia
A Igreja é Cristo continuando a viver entre nós
Mons. Tihamer Toth — A Igreja Católica
09 fev. 2026
Tempo de leitura: 4 minutos
COMPARTILHE:
É fato histórico que Nosso Senhor Jesus Cristo, desde o início da sua vida pública, escolheu entre seus discípulos, alguns deles, deu-lhes um nome particular, instruiu-os em particular, honrou-os com um afeto especial, deu-lhes poderes especiais, e finalmente, no momento da sua ascensão, confiou-lhes particularmente a conversão do mundo. Havia, pois, fiéis e apóstolos. Mas entre esses apóstolos houve também um que Ele colocou à testa de todos os outros. A Igreja Católica, no dia da Ascensão de Nosso Senhor, estava, pois, assim organizada: fiéis, apóstolos, Pedro, — e seu chefe invisível, Cristo.
O grãozinho de mostarda dos primeiros dias tornou- se, após dezenove séculos, a árvore gigantesca da Igreja Católica. Instituição tão poderosa, que é. Incompreensível aos olhos de alguns.
Essa grande organização que abrange o mundo e que chamamos a Igreja, é porventura necessária? — pergunta-se. Que hierarquia minuciosamente regulada se encontra na Igreja atual! A começar pelo modesto vigário, os bispos, os arcebispos, até o papa de Roma. Que instituição admiravelmente organizada! Que código complicado, com os seus 2.414 cânones, e seus inúmeros parágrafos! Que leis morais pormenorizadas! Depois, quantas cerimônias, quantos ritos! E as concordatas, e o Index..., e mil outras particularidades!
Muita gente fica sem compreender, ante estas coisas. Militas vezes, mesmo católicos bem-dispostos não as podem compreender. Nestas instruções teremos ensejo de ocupar-nos de tudo isso. Mas há uma coisa que vos devo dizer desde já: quem visse a Igreja unicamente nessas coisas, quem só visse o lado exterior da Igreja, não veria nem apreenderia por trás do semblante humano, a alma e a vida interior da Igreja, o seu semblante divino, e nunca poderia compreender a Igreja de Cristo. Porque tudo isso não é a essência da Igreja, nem a alma da Igreja, nem o seu semblante verdadeiro e oculto.
Qual é então a essência da Igreja?
Primeiramente, a Igreja é Cristo continuando misteriosamente a viver entre nós, é a imagem de Cristo; a Igreja é Cristo vivo entre nós.
Um dia Nosso Senhor disse a seus apóstolos: "Quem vos escuta, a mim escuta; quem vos despreza, a mim despreza" (S . . Lc. X, 16). Pois bem! a Igreja Católica pode dizer: Quem me escuta, escuta a Cristo; quem me olha, vê a Cristo; quem me segue, anda nas pisadas de Cristo. Tudo o que a Igreja prega sai da boca de Cristo. O que ela apresenta como dogma de fé, vem da eterna verdade divina. O que ela oferece nos sacramentos, jorra pelo coração amante de Jesus.
A Igreja não tem outro desejo senão representar os interesses de Cristo até os confins do mundo, e salvar as almas pela pregação da verdade cristã. A Igreja é o canal pelo qual o Redentor quer trazer aos homens a graça da redenção. A Igreja é a encarnação exterior e visível do reino invisível da verdade e da graça, fundado por Cristo na terra. A única razão de ser, o único desejo, a única ambição da Igreja, a única base legítima da sua existência, é representar perpetuamente Cristo na terra, é formar Cristo nas almas, reproduzir a figura de Cristo nos corações.
Escutemos, com que convicção, com que ousadia, com que segurança irrefutável ela lança aos seus inimigos esta interpelação: Quem pode citar um só caso em que eu renegasse o Evangelho de Cristo? Em que me tivesse afastado, sequer de uma linha, das verdades cristãs? Em que tivesse recuado ante o maior sacrifício, pela defesa da moral cristã?
As coisas exteriores, as cerimônias, o direito canônico, as festas, as imagens, o jejum, as vestes de púrpura... tudo isso não constitui a essência da Igreja.
Qual é então essa essência? O cumprimento do único, do grande, do santo desejo de Cristo: a propagação do reino de Deus entre os homens.
Esse reino é invisível, mas é também visível. É invisível porque, consoante Cristo, está "em nós" (S. Lc. XVII, 21), e consiste na justificação do homem interior (S. Mt. VI, 33).
Mas é também visível, porque Cristo destinou essa Igreja a homens compostos de um corpo, e não a anjos, puros espíritos. É, portanto, naturalíssimo que Ele tenha dado à Igreja invisível um quadro, urna organização, uma forma de vida, exteriores e visíveis. Confiando a sacerdotes o poder de governar a Igreja, fundou Ele ao mesmo tempo uma sociedade exterior visível: fazendo de Pedro o chefe e o fundamento da Igreja (S. Mt., XVI, 18), fazendo dos apóstolos um estado-maior dos pastores, (Mt. XVIII, 17), Ele deu o batismo como cunho de membro da Igreja, e como estatutos os mandamentos de Deus. Finalmente, investiu os chefes da Igreja de um poder quase incrível, quando lhes disse: "Quem vos escuta, a mim escuta" (S. Lc, X, 16). "Como meu Pai me enviou, assim eu vos envio" (S. Jo, XX, 21).
É, pois, com justa razão que dizemos: a Igreja é Cristo continuando a viver entre nós.
O que achou desse conteúdo?
Mais artigos como este

Igreja Católica
Leão XIV, Fulton Sheen e o Coração Católico da América
Uma reflexão sobre as convergências históricas, espirituais e eclesiais entre o Papa Leão XIV e o Venerável Fulton Sheen, destacando o papel do catolicismo no coração cultural dos Estados Unidos e sua abertura à universalidade da Igreja, especialmente na relação entre Oriente e Ocidente....

Oração
A oferta da pequena flor do carmelo
No dia 11 de junho de 1895, Santa Teresinha do Menino Jesus se ofereceu como “Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus”, com uma oração que inúmeros fiéis e devotos repetiriam, e que a Igreja enriqueceria com indulgências perpétuas....

Espiritualidade







