
Santidade
A santidade: a vocação de todo cristão
Isaac Marcos
02 ago. 2026
Tempo de leitura: 4 minutos
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Meus santos, iniciamos o santo mês das vocações. Neste primeiro domingo a vocação aos ministérios ordenados (padres, diáconos e bispos — lembrando que o santo padre, o papa é um bispo eleito à função de papa); o segundo domingo a vocação matrimonial, a constituição de uma família; no terceiro domingo a vocação à vida religiosa (os freis, as freiras, os monges); no quarto domingo, a vocação dos fiéis leigos que atuam na sociedade e na Igreja; e, quando, há, o quinto domingo a vocação dos catequistas.
Pois bem, a vocação, isto é, o chamado, a um estado de vida é o meio ao qual Deus nos inseriu para conquistarmos o céu. Santa Terezinha dizia: “passarei o meu céu, fazendo o bem aqui na terra”. Ninguém nasce para ser padre, ninguém nasce para se casar, ninguém nasce para formar uma família. Nascemos para sermos santos, a nossa vocação é a santidade, tudo isso são meios que devem nos levar a este ideal.
As vezes pode surgir uma certa incompreensão quando dizemos, ser santo. Em Levítico 11, 44 Deus diz: “Sede santos, porque eu sou santo”. Nosso Senhor reafirma em Mateus 5, 48 “Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é Santo” e nos dá o caminho, a direção no caminho da bem-aventurança.
Vejam meus santos que desde sempre esteve inflamado no coração do católico este desejo, esta consciência: “Deus me quer santo, eu nasci para ser santo”. O problema é que em um momento da história este ideal católico foi se corrompendo no coração dos católicos, de modo que agora há esta estranheza que soa até sem sentido, um ideal inalcançável.

No século XV, um certo monge agostiniano, começou a ter uma série de crise de escrúpulos. O que é esse tal de escrúpulo? É achar que tudo é pecado ou culpa grave, mesmo sem ser. Um exemplo, plena Sexta-Feira Santa, você está lá se esforçando para jejuar, fazer abstinência de carne, mas aquele seu vizinho ateu, resolveu justamente neste dia assar um belo de um churrasco. E você, é claro, não é de ferro, sente aquele cheiro suculento, sua boca saliva e, naturalmente, é óbvio que vai desejar comer daquele churrasco.
O problema é que esse tal monge enfiou na cabeça, sei lá de onde tirou, que isso seria pecado. Pronto, a confusão está formada, e por isso não saia do confessionário e vivia em uma neurose. Lutero rezava por horas a fio. Fazia jejuns rigorosos. Praticava penitências severas. Confessava-se todos os dias — às vezes várias vezes por dia. Mas ele nunca sentia paz. Alguns biógrafos relatam que algumas confissões chegavam a passar até 6 horas seguidas.
Se antes achava que tudo era pecado, agora passou a negar a gravidade do pecado. Se antes achava que precisava se esforçar demais, agora passou a dizer que as obras não importam. Se antes vivia obcecado com a confissão, agora rejeitou o sacramento. Pronto tá formado o pensamento antibíblico. Deus diz: “Sede santos, porque eu sou santo”. O nosso frade começa a pensar, essa coisa de santidade é balela, não existe essa coisa, ninguém consegue ser santo, essa coisa de santo é invenção. E aí então este frade, Martinho Lutero, funda o protestantismo. Eis porque nenhum protestante acredita em santidade, e porque zombam quando veneramos os santos, quando buscamos a santidade.
Vejam meus santos, ser santo não é não ter pecado como acreditou Lutero. Se a gente começa a pensar assim, é claro que vamos achar que ser santo é balela, que ninguém consegue ser santo, que isso é invenção. Quando olhamos para Santa Maria Madalena não olhamos

para o seu pecado, olhamos para o que ela fez depois, depositar suas misérias aos pés de Cristo. Quando olhamos para são Francisco, para o próprio Santo Agostinho, não olhamos para os seus pecados de vida noturna entre mulheres e bebidas e toda porcaria, olhamos para como se venceram, como souberam colocar a sua confiança em Jesus.
Meus santos, neste mês de agosto, possamos aprender com os santos a prática das virtudes, possamos aprender que a santidade é possível e que podemos alcançar a santidade. Podemos olhar para Santa Isabel de Portugal que meditando as virtudes de sua tia-avó Santa Isabel da Hungria viu que ser santo é possível. Como Santa Terezinha do Menino Jesus meditando Santa Joana D’arc viu que ser santo é possível. Como o pequeno São Domingos Sávio olhando para São Dom Bosco viu que ser santo é possível.
Aprenderemos com o evangelho que as virtudes, as graças que Cristo nos dispõe para alcançar para alcançar a santidade nos satisfaz. “Todos comeram e ficaram satisfeitos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios.”. Doze sextos, os doze apóstolos, a Igreja, o meio que Deus criou nos fazer santo como Ele é santo.
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