Vamos falar de política, não porém da política partidária, da política terra a terra do nosso país, de uma política, infelizmente, bem afastada das leis mais básicas, na ordem natural e na ordem sobrenatural. Vamos falar, caros católicos, de política no sentido mais profundo. A visão católica da política fundada na razão e na revelação. E mais especificamente, nosso objetivo nesse sermão muito simples, é procurarmos entender qual é o papel do Estado diante daqueles indivíduos, famílias. sociedades menores que o compõem, que se inserem dentro dele, porque toda a política, no final das contas, depende disso.

Qual é o papel do Estado? Qual é a sua finalidade no final das contas? Este é, portanto, o nosso objetivo nesse sermão muito simples, procurar entender realmente qual a finalidade do estado para que ele existe, qual é o bem que ele procura. Antes de passarmos a isso, caros católicos, podemos lembrar de algo de que já falamos em vários outros sermões, em várias outras ocasiões.

A sociedade civil, o Estado, é uma criatura de Deus. Com efeito, a sociedade civil, o Estado decorre da natureza humana, tal como criada por Deus. Deus criou o homem como animal político, como animal social. Isso significa que nós precisamos da sociedade para viver de modo adequado, de acordo com a nossa natureza.

Isso significa que nós não podemos viver individualmente isolados. Por isso, nascemos dentro de uma família. Mas uma família mesmo não basta. Não se basta. É preciso a união de famílias que cooperando nas mais diversas atividades consigam então assegurar uma vida muito melhor, muito mais perfeita para todos os seus membros. Essa união de famílias que concretamente, historicamente pode se dar de maneiras variadas, essa união de famílias constitui a sociedade civil, o que hoje chamamos como mente de estado.

Não estamos falando aqui de uma vida mais perfeita, somente na ordem material, por exemplo, por uma divisão de trabalho mais perfeita, especializada para acumular mais bens materiais, mas estamos falando de uma vida mais perfeita para o desenvolvimento das ciências, para o desenvolvimento de uma cultura que, como tal, eleva o homem para o desenvolvimento do conhecimento mais profundo da verdade para o desenvolvimento de uma vida mais perfeita na prática das virtudes.

Enfim, o Estado, portanto, meus caros católicos, deve buscar essa vida mais perfeita para os seus membros. Ou seja, ela deve buscar o bem comum temporal. Quando falamos aqui do bem comum temporal que o Estado deve buscar assegurar aos seus cidadãos, não estamos falando, repitamos, não estamos falando de bens estritamente materiais somente.

Não estamos falando de bens econômicos pura e simplesmente não estamos falando apenas de riqueza. Que isso fique bem claro, mas estamos considerando também esses bens mais elevados, sobretudo o bem de uma vida virtuosa. O Estado existe, então, caros católicos, para proporcionar o bem temporal aos seus membros tanto quanto possível.

É muito importante, então, procurarmos entender melhor o que é esse bem comum de acordo com o ensinamento da nossa santa igreja católica. Nós podemos dizer, citando o Papa Pio X em um seu discurso de 1947, que esse bem comum que o Estado procura é a realização de condições públicas. normais e estáveis que permitam aos indivíduos e às famílias levarem de uma maneira mais fácil uma vida segundo a lei de Deus, uma vida digna, uma vida ordenada e uma vida feliz.

Portanto, o bem comum temporal que o Estado deve procurar dar aos seus membros consiste nas condições públicas normais e estáveis para que indivíduos e famílias levem mais facilmente uma vida segundo a lei de Deus, uma vida digna, uma vida ordenada e uma vida feliz. Essa é a finalidade do Estado.

E claro que essas condições devem estar sempre vinculadas a ordem absoluta dos valores estabelecida por Deus, como diz o mesmo Papa Pus. Nós temos aqui, caros católicos, já uma boa noção do que é este bem comum que o Estado deve buscar. condições públicas normais e estáveis que facilitam uma vida segundo a lei de Deus.

Quer dizer, uma vida virtuosa, uma vida digna, ordenada e feliz. Podemos detalhar alguns elementos sobre isso. O Papa Leão XIII, na sua encíclica clássica e famosíssima sobre a questão social, quer dizer, na Rerum Novarum de 1891, fala que o Estado, por meio de suas instituições, por meio da administração pública dos seus órgãos, deve produzir simultaneamente a prosperidade pública e a prosperidade privada, a moralidade, a ordem familiar, o respeito a religião e à justiça, impostos moderados e equitativos, o desenvolvimento das artes, do comércio, da agricultura, enfim. Quer dizer, os estados devem procurar produzir essas condições que tornem os cidadãos melhores e mais felizes. Condições que tornem os cidadã os cidadãos melhores e mais felizes de acordo com a verdade e o bem e não de maneira meramente subjetiva. O Estado deve produzir prosperidade pública e privada, quer dizer dando as condições materiais e cada vez melhores para que os indivíduos e as famílias tenham uma vida digna na alimentação, na moradia, nos meios de transporte, saúde, enfim, alimentação, como dissemos.

O Estado deve também favorecer a moralidade de acordo com a lei natural, sem se opor de maneira alguma a lei da verdadeira religião, que é a católica. Então, nesse ponto da moralidade, o Estado se subordina aquilo que diz a verdadeira religião. Não se arvora ele pura e simplesmente em uma autoridade.

O estado, meus caros católicos, procurando dar aos seus membros o bem temporal, deve garantir também a ordem familiar, quer dizer dar os meios para o desenvolvimento da família que busca cumprir o seu papel de gerar naturalmente os filhos e de educá-los.

O estado deve favorecer a família, que gera naturalmente os filhos e os educa pela união indissolúvel entre um homem e uma mulher, pela união fiel entre um só homem e uma só mulher. O Estado deve também garantir o respeito à religião e à justiça. E aqui mais uma vez falamos, em primeiro lugar, claro, da verdadeira religião.

O estado em que a maioria dos seus membros fosse católica, deveria ser um estado católico, confessional católico, com a tolerância, claro, de acordo com as circunstâncias de outra de outras religiões, com a tolerância possível de acordo com as circunstâncias de outras religiões. E um estado não católico deveria garantir a liberdade de atuação da igreja, porque ela é a igreja de Deus.

O Estado deve produzir o respeito à justiça com leis justas de acordo com a lei natural e com a lei de Deus, com penas proporcionais e realmente aplicadas como remédio para o indivíduo que transgrediu a lei, como reparação da justiça lesada e como exemplo para os outros, garantindo também a devida segurança dos seus membros.

O Estado deve produzir o bem comum com impostos moderados e equitativos justos e que reverte verdadeiramente no bem comum. E também com o desenvolvimento das artes, do comércio, da agricultura. Tudo isso de acordo com a lei moral, sem impedir o homem de modo algum de conhecer, amar e servir a Deus cada vez mais.

e favorecendo o desenvolvimento de uma verdadeira cultura, ou seja, de uma cultura que pela verdade, que pelo bem, que pelo belo, direciona a Deus. Este bem comum temporal, meus caros católicos, que não pode jamais se opor ao fim último do homem, que é ver a Deus face a face no céu, na bem-aventurança eterna, vivendo a vida na graça nessa terra.

Então, o Estado deveria procurar para os seus cidadãos todas essas condições que tornam os cidadãos melhores, mais felizes, mais aptos no final das contas. para alcançar o céu. O estado com seus meios naturais pode, em certa medida e nessa ordem nos ajudar na busca pelo céu. O mesmo Papa Leão X diz: "O principal bem que a sociedade pode possuir é a virtude".

Desse modo, meus caros católicos, compete ao Estado, na sua ordem, proporcionar os auxílios materiais e exteriores necessários ao exercício da virtude por todos esses meios que mencionamos. O bem comum inclui, portanto, bens materiais, mais ordenados ao aperfeiçoamento do homem, que inclui seu aperfeiçoamento moral e não somente econômico, material.

as que diz respeito ao aperfeiçoamento das virtudes. E dentro disso tudo, o Estado procura também, meus caros católicos, estabelecer e garantir a paz e a boa ordem, a conformidade das atividades sociais com a lei de Deus, da natureza, lei natural, preservando a vida familiar, a observância da religião, a proteção contra agressões e injustiças, assegurando a moralidade pública e privada, a saúde, o vigor da população e a defesa legítima da pátria.

Desse modo, de acordo com Leão X, podemos dizer: "A ordem justa, o bem comum que o Estado deve buscar é tornar possível a todos viver virtuosamente e participar segundo a justiça dos bens espirituais, morais e materiais necessários à perfeição humana nesta vida, de modo a facilitar a sua perfeição sobrenatural e o seu caminho para o céu.

O bem comum temporal, meus caros católicos, repitamos ainda uma vez, é a realização estável de condições públicas, jurídicas, morais, econômicas, sociais, culturais que permitem as pessoas e à famílias mediante o exercício da sua legítima liberdade dentro do bem, mediante o exercício da responsabilidade e iniciativa.

cumprir seus deveres e desenvolver plenamente sua vida material, intelectual, moral e religiosa, segundo a lei de Deus. Essas condições deveriam ser criadas, protegidas, coordenadas pelo Estado, com a cooperação orgânica dos cidadãos e das sociedades menores que compõem o Estado, respeitando os direitos invioláveis da pessoa de acordo com a lei natural e divina, respeitando a propriedade natural da família, respeitando o direito legítimo, a propriedade e a vida, respeitando a prioridade natural da família, o direito

legítimo, à propriedade e a vida. E é evidente, respeitando a moralidade pública, respeitando a subsidiariedade e respeitando a ordenação última do homem a Deus, ao Deus uno e trino, a nosso Senhor Jesus Cristo. Era isso, caros católicos, que nós deveríamos ver debatido no Brasil por aqueles que são candidatos a cargos políticos, como cada um vai favorecer o verdadeiro bem comum em todos esses aspectos, aspectos que englobam os elementos econômicos, elementos de segurança, de educação, de moradia, de vestuário, de

alimentação, de saúde, enfim, aspectos que englobam leis justas baseadas na lei natural. sem se contrapor à lei de Deus. Aspectos que favoreçam a legítima liberdade no bem, aspectos que favoreçam a observância da religião, da justiça, da vida virtuosa. Elementos que aperfeiçoem verdadeiramente os seus membros, que os tornem pessoas melhores em todos os aspectos.

A vida virtuosa, com todas as suas condições, no final das contas, é a política que nós deveríamos ver debatida e que deveria servir como base para escolhermos entre os candidatos. O normal seria os candidatos discutirem, debaterem isso com ideias que favorecessem isso. Mas quão longe estamos, meus caros católicos, dessa realidade no nosso Brasil e podemos dizer em todos os lugares do mundo, praticamente.

O normal seria que na política todos reconhecessem que todo poder vem de Deus, que toda autoridade vem de Deus. que todo poder e toda autoridade só podem ser exercidos de acordo com a lei de Deus. O poder não vem do povo. O normal seria que nossos políticos governassem buscando realmente o bem comum que mencionamos e não o bem particular de suas famílias, de suas contas bancárias, de seus grupos, de seus partidos, enfim, que governassem com base na realidade, na verdade natural e sobrenatural, e não com base em ideologias sempre fadadas ao

fracasso. que seja o comunismo, socialismo, liberalismo, direitas, esquerdas e centros. Como dizem meus caros católicos, Santo Agostinho e São Tomás, citando o livro de Jó, a providência faz reinar, faz governar um homem hipócrita por causa da perversidade do povo. Santo Agostinho em seu livro contra Juliano, diz: "O diabo e seus anjos, quer dizer, os demônios e os maus reis, ou seja, os maus governantes, o diabo, os demônios, os maus governantes, não são apenas eles próprios pecadores, mas pela justiça de Deus tornam-se também um castigo para os

pecadores." Quer dizer, os maus governantes são um castigo pelos pecados do povo, pelos nossos pecados como povo brasileiro. E São Tomás diz: "Para que o povo mereça obter de Deus esse benefício, quer dizer a queda ou a conversão do tirano. Para que o povo possa merecer este benefício, deve antes abandonar os seus pecados.

Porque como castigo do pecado, por permissão divina, os ímpios recebem o poder de governar. É o que diz Deus por meio do profeta Oséias: "Dar-te ei um rei em minha ira". Se nós queremos melhores governantes, devemos, como diz São Tomás, eliminar a culpa, lutar contra o pecado, para que cesse o flagelo dos tiranos.

tirando o entendido aqui como aquele que não governa pro bem comum, como nós definimos, mas com outros objetivos. O que está, meus caros católicos, propriamente, totalmente em nosso poder, com a graça de Deus, apoiados na graça de Deus, é a nossa conversão a nosso Senhor Jesus Cristo. É essa luta para eliminar o pecado em nossa vida.

É isso que devemos procurar fazer, converter-nos a nosso Senhor Jesus Cristo para diminuir a nossa culpa, aumentar a nossa união com ele. Essa é a primeira e a maior ação política que devemos e podemos fazer, buscar a nossa santificação, buscar eliminar o pecado. Todas as outras ações políticas só terão efeitos profundos e duradouros a partir dessa primeira ação, a nossa busca pela nossa conversão.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.