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A Igreja nascente e o mundo oriental

Dispersos os Apóstolos

Com a perseguição de Herodes, os Apóstolos dispersaram-se. A tradição fala de Tomé na índia, Bartolomeu na Armênia, Mateus no Egito, Tadeu na Mesopotâmia, Tiago na Espanha, etc.

São João

Com maior segurança se sabe de São João, em Éfeso, escolhido pelo Apóstolo como ponto de contato entre o mundo oriental e o ocidental.

Tornou-se o centro de grande movimento. Cristandades importantes floresceram sob sua direção.

Notável influência exerceram Santo Inácio de Antioquia, São Policarpo e outros discípulos do Apóstolo, que se tornou o chefe da Igreja na Ásia, depois da morte de São Paulo. Na segunda perseguição, foi levado a Roma,
onde, no lugar em que hoje está a sua basílica, foi metido numa caldeira de óleo fervendo, da qual saiu ileso. Desterrado para a ilha Patmos, aí escreveu o­ Apocalipse.

Morto Domiciano (ano 96), tornou a Éfeso, escreveu o seu Evangelho e lutou pela pureza da fé, contra os hereges, sendo o último dos Apóstolos
a morrer (depois do ano 100)

Mons. Álvaro Negromonte,
Origens da Igreja, Livro História da Igreja

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A Igreja nascente e o mundo greco-romano

Entre gentios

Vivendo por todo o mundo, os judeus da dispersão estavam em Jerusalém para as grandes festas. Convertidos de Pentecostes levaram o Cristianismo para suas terras. Andantes como cos­tumam os judeus, e animados ainda do zêlo do Evan­gelho, aqueles que a perseguição dispersou chegaram a Antioquia, Fenícia, Chipre e toda a região dos gá­latas.

Normalmente, anunciavam o Evangelho nas sina­gogas; excepcionalmente, também a gentios, que, aliás, recebiam muito bem a verdade cristã.

São Paulo

Judeu da dispersão, vivendo entre pa­gãos, seria facilmente o Apóstolo dos gentios. Quando os judeus de Antioquia, vendo os progressos do Cris­tianismo naquela cidade, expulsaram dali o Apóstolo, ele declarou: “Nós nos voltamos para os Gentios” (At 13, 46). Esta declaração alegrou muito aos pagãos e facilitou os êxitos do Evangelho.

Desenvolve espantosa atividade, viajando, pregan­do, fundando cristandades e administrando-as, escre­vendo (14 Epístolas se conservaram), lutando contra os gentios e principalmente judeus, trabalhando para viver, sofrendo todas as adversidades inclusive corpo­rais, pois era de pouca saude.

Suas Viagens

Em três grandes viagens evange­liza a Asia Menor (1ª viagem), passa à Europa, pregando na Grécia (Tessalônica, Filipos, Atenas, Corinto) (2ª viagem), e volta a visitar as cristandades fundadas (3ª visita).

Torna a Jerusalém (ano 58), onde escapa mais uma vez à morte. Levado à presença de Félix, go­vernador romano, em Cesaréia. Apela, então, para César e viaja para Roma, onde passou dois anos (de 61 a 63) prisioneiro em casa, guardado por sentinela, pregando e escrevendo.

Libertado, retoma o apostolado, até ser finalmente preso (ano 66) e mandado para Roma, onde fica no cárcere até ser decapitado, diz-se que no mesmo dia que São Pedro.

Pequeno, enfermiço, feio, mas combativo, enérgico, eloquente, convicto, cheio de amor a Cristo, foi a maior figura da Igreja primitiva. Sua grandeza se perenizou na variedade e profundeza de suas Epísto­las, cujos tesouros são um patrimônio do Cristianismo.

Mons. Álvaro Negromonte,
Origens da Igreja, Livro História da Igreja

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A Igreja nascente e o mundo judaico

A Igreja nascente e o mundo judaico

Primeiras perseguições

Sacerdotes e autori­dades, indignados com Pedro e João que pregavam no Templo, lançaram-nos em prisão; no dia seguinte os soltaram, proibindo-lhes anunciarem o nome de Jesus.

“Não podemos deixar de falar”, responderam eles. (E este Non póssumus ficou na História da Igre­ja como a barreira intransponível que Papas e Bispos opõem à prepotência dos perseguidores).

Continuam os Apóstolos a pregar destemidamente, “com muitos milagres e prodígios”, aumentando cada dia o número dos crentes. Até de cidades vizinhas afluía gente, e as ruas se enchiam de enfermos, que Pe­dro curava. Por inveja, os sacerdotes lançam aos Após­tolos na cadeia, mandam açoitá-los, e só não lhes acon­teceu pior pelo voto de Gamaliel, no Conselho: “Dei­xai-os: se este empreendimento vem dos homens, se des­truirá; mas se vem de Deus, não podereis destruí-lo” (At 5, 38-39).

Os fiéis

Era linda a vida dos discípulos ele Je­sus. Na oração, na doutrina, no culto eucarístico (“fra­ção do pão”), entregando todos os bens aos Apóstolos para que os distribuíssem conforme as necessidades de cada um, tinham todos “um só coração e uma só alma” (At 4, 32).

O castigo de Ananias e Safira, subitamente mortos por terem mentido a Pedro, a fim de parecerem des­prendidos e beneméritos (At 5, 1-11), aumentou o temor de Deus por tôda a Igreja.

Cresciam os trabalhos, e os Apóstolos instituíram os Diáconos para os cuidados temporais (que hoje cha­maríamos de assistência social), e se entregaram exclu­sivamente ao ministério sagrado.

Dispersão dos fiéis

Estêvão, um dos sete diáonos, que se distinguia pelo ardor apostólico, foi o pro­tomártir do Evangelho: enfurecidos com seus milagres e sua eloquência, os judeus o apedrejaram.

Tornando-se assim violenta a perseguição, disper­saram-se os fiéis, ficando em Jerusalém os Apóstolos. Deus se servia dos próprios erros dos homens para mais rapidamente difundir o Evangelho.

Conversão de Paulo

Fariseu rigoroso, instruí­do, tinha Saulo cerca de 30 anos (Holzner) quando aju­dou na lapidação de Estêvão. Invadia as casas em Jeru­salém e arrastava para as prisões a homens e mulheres. Partiu para Damasco para perseguir ali os que criam no Senhor.

Às portas da cidade, em pleno meio-dia, envolve-o um deslumbrante clarão e o atira por terra. E do cla­rão saiu uma voz:

— Saulo, Saulo, por que me persegues?

— Quem és tu, Senhor?

— Eu sou Jesus, a quem tu persegues.

— Senhor, que queres que eu faça?

Imensas transformações produziu este curto diálo­go. O antigo perseguidor apresenta-se às sinagogas de Damasco, mas para anunciar o nome de Jesus. De­pois de três anos num deserto, volta a pregar em Damasco, vai a Jerusalém apresentar-se a Pedro, indo de­pois para Tarso, sua cidade natal.

Conversão dos gentios

Também os gentios queriam tornar-se discípulos de Jesus. Repugnava, porém, à mentalidade dos judeus trazê-los diretamente ao Batismo, sem fazê-los passarem pela sinagoga. Pretendiam conservar as práticas judaicas, impondo-as aos próprios gentios que se convertessem.

Hoje a questão nos parece tola. Então, era decisiva. Seria a Igreja mera seita do judaísmo, dependente dele, ou realidade autônoma, suprema e universal? A ordem do Senhor era clara : “Pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Restava o modo de executá-la.

O próprio Deus resolve mostrar a Pedro, numa visão, que os pagãos devem ser diretamente batizados. E ele batiza o centurião Cornélio e toda a sua família, sem qualquer exigência judaica. O fato causou estranheza entre os judeus convertidos, que se apaziguaram ao saber que o Chefe agira por ordem divina.

Alarmaram-se, porém, ao ouvir que se procedia igualmente em Antioquia, e que os discípulos estavam ali tão independentes do judaísmo que até já se designavam pelo neologismo de cristãos.

Mandado a verificar os acontecimentos, Barnabé, iluminado pelo Espírito Santo, aprovou-os e, se fez ajudar de Paulo, a quem buscou em Tarso. Opuseram-se energicamente aos que pretendiam que ninguém se pode salvar sem as práticas judaicas, e levaram a questão aos Apóstolos. O Concílio de Jerusalém, no ano 60, presidido por Pedro, decidiu em seu favor, mas ficou uma triste opiniosidade que deu à Igreja o primeiro cisma.

Prisão de Pedro

Em 42, Herodes mandou matar a Tiago, e, vendo que agradava aos judeus, prendeu a Pedro, com intenção de entregá-lo à fúria do povo, depois da Páscoa.

Mas a Igreja rezava incessantemente pelo seu Chefe, e Deus o libertou por um anjo.

Mons. Álvaro Negromonte, Origens da Igreja, LivroHistória da Igreja

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Jesus Cristo e a Igreja

Igreja Católica

A Igreja no Evangelho

Em sua vida pública, Jesus Cristo não perdera de vista a lgreja:

a.) anuncia que vai fundá-la (Mt 16,1 8); que ela começará pequenina mas se estenderá a toda a terra (Mt 13, 31-32);

b) cuida de sua organização, reunindo discípulos, escolhendo apóstolos a quem confere poderes espirituais, nomeando um chefe supremo na pessoa de Pedro (Mt 16, 18-19 e Jo 21, 15-1 8);

c) deixa bem claro que é uma instituição permanente (“até o fim do mundo” : Mt 28, 20), e perfeita: com autoridade (Mt 18, 17), fim, doutrina, culto,
hierarquia, tudo bem traçado. No dia da Ascensão manda que os discípulos esperem em Jerusalém a vinda do Espírito Santo.

Pentecostes

No Cenáculo, cerca de cento e vinte pessoas, inclusive Nossa Senhora, se entregaram à oração, esperando o cumprimento da promessa.

Pedro preside ali a eleição para a vaga de Judas, preenchida por Matias (At 1, 12-26). E no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre cada um
deles, em línguas de fogo. Foi como a alma que vivifica um corpo. Todos, “cheios do Espírito Santo”, saíram corajosamente e iniciaram o apostolado da Igreja.

O ruído de tempestade congregou facilmente muita gente, pois de toda parte tinham ido judeus para a festa. Pedro faz o primeiro sermão, e se convertem três mil pessoas; realiza o primeiro milagre; e prega o segundo sermão, elevando a cinco mil o número de convertidos. (Ver At cap. 2 e 3).

Mons. Álvaro Negromonte, Origens da Igreja, Livro História da Igreja