Eu sou a Imaculada Conceição

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[…] No sopé dos Pireneus, a vilazinha de Lourdes vivia num lugarejo belo, mas severo, a vida monótona de tantas vilas do mundo, quando, em fevereiro de 1858, começou a espalhar-se uma estranha notícia. Na quinta-feira, as irmãs Toinette e Bernadette Soubirous, acompanhadas pela sua inseparável amiga Jeannette, tinham saído para apanhar lenha.

Dirigiram-se para os rochedos de Massabielle, para lá do Gave, e viam a água do rio correr, ruidosa, por cima das pedras. No momento em que atravessavam um pequeno canal que as separava da floresta, as meninas pararam e, enquanto Bernadette esperava, sozinha, hesitando em molhar os pés, subitamente o mundo se lhe tornou insólito. Estaria a envolvê-la alguma tempestade? A verdade é que a água do canal nem sequer estava enrugada e os ramos das árvores não buliam. Mas, à sua frente, numa escavação do rochedo, viu um vulto feminino, uma “senhorita”, muito nova, toda vestida de branco, que lhe sorria. Esse episódio, que fez rir as suas companheiras e que os pais da pequena não gostaram de ouvir contar, ia ser o ponto de partida de uma série de outros, cada vez mais incompreensíveis e prodigiosos.

Era uma criança sossegada e profundamente piedosa essa Bernadette; aos catorze anos, era já uma alma religiosa. Nada de comum com Mélanie e Maximin, os pequenos de La Salette. Que fosse uma simuladora, foi o que ninguém pensou. Mas não estaria a ser vítima de uma ilusão, de um sonho, de uma perturbação patológica desconhecida? E a história das revelações de Lourdes veio a ser a luta, por longos meses, entre essa menina investida de uma missão sobrenatural e todas as autoridades, familiares, locais, eclesiásticas, judiciais e municipais, todas elas empenhadas em não reconhecer essa missão. E no entanto, semana após semana, as aparições repetiam-se, e tudo se foi tornando, para a jovem vidente, mais preciso, mais explícito. À sua volta, começou a haver dez, passou a haver vinte, depois cem, depois várias centenas de testemunhas, juntamente com policiais e funcionários públicos. E o êxtase reproduzia-se, sempre igual: a menina caía numa espécie de estado semiconsciente, semelhante ao desmaio. Enquanto rezava o terço, com excepcional fervor, o rosto iluminava-se-lhe, como se refletisse a violenta claridade de uma presença que só ela via.

Sim: a presença voltou; voltou muitas vezes, dezoito vezes! Vinha falar com a sua pequena confidente. Multiplicavam-se os prodígios. Um dia, por ordem da Visitante, Bernadette ajoelhou-se como que para beber de uma fonte inexistente, e, mal arranhou o chão, começou a brotar água, logo poderosa, inestancável. . . De outras vezes, declarou que, no lugar que indicou, dentro em pouco se ergueria uma igreja. Era já uma multidão que acorria à gruta de Massabielle, a fim de ver a jovem mística nos seus êxtases. Começaram a ocorrer milagres: um cego recuperou a vista, uma Irmã da Caridade e uma criança paralítica ficaram curadas. Inquieto, o pároco da terra atirou-lhe: “Pergunta lá o nome à tua senhorita!” Quando a criança o fez, a Visitante disse: “Eu sou a Imaculada Conceição”, coisa que, para uma pequena ignorante de toda a teologia e que nunca ouvira falar da proclamação do dogma, era rigorosamente incompreensível. O clero e a Hierarquia iam ter de aceitar; as próprias autoridades imperiais iam reconhecer: em Lourdes, nesse ano de 1858, produzira-se uma das mais extraordinárias manifestações do sobrenatural de todos os tempos. E por toda a terra correu o apelo à penitência e à oração, mas também à confiança e à esperança, que Santa Bernadette Soubirous recebeu em depósito.

[…]Quanto à gruta de Lourdes e à sua fonte milagrosa, para as quais correra o fervor religioso mesmo antes de as autoridades da Igreja terem dado a sua aprovação, a partir de 1 862 (data do reconhecimento oficial pelo bispo de Tarbes), foi uma corrente contínua. O livro de Henri Lasserre, Notre-Dame de Lourdes (1869), contribuiu para levar a notícia à cristandade inteira. Os assuncionistas, fundados pouco antes, constituíram-se em servos dessa nova Nossa Senhora e dos seus fiéis. As estradas de ferro montaram vias para serviço dos peregrinos, que já em 1872 eram 119.000 e, no ano seguinte, 140.000. Em dez anos, foram rezar à Gruta quase 300 bispos de muitos países. E foi um grande dia aquele em que, em nome de Pio IX, que proclamara a “luminosa evidência” do fato de Lourdes, o núncio apostólico procedeu solenemente à coroação da imagem da Imaculada. Foi a 3 de julho de 1876, sob as aclamações de 36 bispos, 3.000 padres e 100.000 peregrinos.


Henri Daniel-Rops. A Igreja das revoluções I: Este mundo que Cristo torna visível

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