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Reflexão do Evangelho – vigésimo segundo domingo do tempo comum

O Evangelho de hoje lança Jesus em uma luz profética como alguém que tem autoridade para interpretar a lei de Deus.

A citação de Jesus de Isaías hoje é irônica (ver Isaías 29:13 ). Ao cumprir a lei, os fariseus honram a Deus garantindo que nada impuro saia de seus lábios. Nisso, entretanto, eles viraram a lei do avesso, tornando-se uma questão de simplesmente realizar certas ações externas.

O dom da lei, que ouvimos Deus dar a Israel na primeira leitura de hoje, se cumpre no Evangelho de Jesus, que nos mostra o verdadeiro sentido e propósito da lei (ver Mateus 5:17 ).

A lei, cumprida no Evangelho, visa formar o nosso coração, tornar-nos puros, capazes de viver na presença do Senhor. A lei foi dada para que pudéssemos viver e entrar na herança que nos foi prometida – o reino de Deus, a vida eterna.

Israel, por sua observância da lei, deveria ser um exemplo para as nações vizinhas. Como Tiago nos diz na epístola de hoje, o Evangelho nos foi dado para que pudéssemos ter um novo nascimento pela Palavra da verdade. Vivendo a Palavra que recebemos, devemos ser exemplos da sabedoria de Deus para os que estão ao nosso redor, os “primeiros frutos” de uma nova humanidade.

Isso significa que devemos ser “praticantes” da Palavra, não apenas ouvintes. Enquanto cantamos o Salmo de hoje e ouvimos novamente na Epístola de hoje, devemos trabalhar pela justiça, cuidando de nossos irmãos e irmãs e vivendo pela verdade que Deus colocou em nossos corações.

A Palavra que nos foi dada é um presente perfeito. Não devemos aumentar isso por meio de devoções vãs e desnecessárias. Nem devemos subtrair dela escolhendo e escolhendo quais de Suas leis honrar.

“Ouça-me”, diz Jesus no Evangelho de hoje. Hoje, somos chamados a examinar nosso relacionamento com a lei de Deus.

A prática da nossa religião é uma escuta pura de Jesus, um acolhimento humilde da Palavra plantada em nós e capaz de salvar a nossa alma? Ou estamos apenas fingindo?

Scott Hahn
Fonte: https://stpaulcenter.com

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O dogma da Imaculada Conceição

Gênesis 3, 15 ― “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás armar-lhe ciladas ao seu calcanhar”.

Apocalipse 12, 1-6 ― “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Senhora revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal do céu: um grande dragão, vermelho, com sete cabeças e sete chifres, e nas cabeças sete coroas… Este dragão deteve-se diante da Senhora que estava para dar à luz, afim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um filho, um varão, aquele que deve reger todas as nações pagãs com o cetro de ferro. Mas seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono”.

Apocalipse 12, 13 e segs ― “O dragão vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Senhora que dera à luz o Menino… A serpente vomitou contra a Senhora um rio de água para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Senhora, abrindo a boca para engolir o rio que o dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Senhora, e foi fazer guerra ao resto da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus”.

NOTA: ― Compare-se o texto do Gênesis (III, 15) acima citado com os textos do Apocalipse. Em ambos, a mesma realidade sobrenatural: a luta, a inimizade entre o Demônio e uma mulher escolhida por Deus; e esta luta é por causa do Menino “que deve reger com cetro de ferro todas as nações pagãs” (Apoc. XII, 5).

Quem poderá deixar de reconhecer nesta “Senhora vestida de sol”, que dá à luz o Menino, Rei de todos os povos, a Virgem Maria ? E quem poderá deixar de ver, então, na primeira página do Gênesis, a mesma Senhora, cuja descendência, ou seja, cujo Filho, esmagará a cabeça da serpente ?

E como se evidencia esta vitória da Mulher predestinada sobre o Dragão infernal? Fora Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mat 1, 16) possuída pelo demônio quando veio a este mundo, isto é, fosse ela concebida no pecado, onde estaria sua vitória sobre o eterno inimigo? Por isto, muitos Santos Padres e Doutores da Igreja interpretam os dois textos acima, dando-os como prova bíblica da Imaculada Conceição, bem como da própria Assunção gloriosa e da Corredenção.


Lucas 1, 28 ― “O Anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres”.

Lucas 1, 30 ― “O Anjo disse-lhe: “Não temos, Maria, pois encontraste graça diante de Deus”.

NOTA: ― Nossa Senhora não podia ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, se o pecado original a tivesse atingido; pecado e graça são coisas que não podem estar na mesma alma. E se Ela está cheia de graça é porque nenhuma graça, (inclusive a da pureza original) lhe falta.

Bendita entre as mulheres só pode ser também aquela mulher que, diferente de todas as demais, recebeu a graça insigne de ser preservada do pecado original.

“O Senhor é contigo” ― é uma expressão que afirma que Maria estava estritamente unida ao Senhor pela graça, portanto isenta do pecado de origem.

Por isto diz o Anjo: “Achaste graça diante de Deus”. Isto é, aquela graça que Eva perdera pelo pecado original, Maria achou pela Conceição Imaculada.

Objeção frequente contra a Imaculada Conceição se baseia nos seguintes textos de São Paulo:

Romanos 5, 12 ― “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todo o gênero humano, “porque todos pecaram”.

Iª Corintios 5, 14 ― “Se um só morreu para todos, é porque todos estavam mortos (isto é, pelo pecado)”.

Daí concluem os protestantes: “Se Maria foi imaculada, por que S. Paulo diz que todo o gênero humano pecou? “Se Maria foi Imaculada ― dizem eles ainda ― então Cristo não precisou morrer por ela”. Estas objeções denotam incompreensão do ensino da Igreja.

Todos pecaram em Adão. Pecar em Adão é ser membro da raça de Adão, é estar preso à condição de membro da cabeça deste imenso corpo cuja cabeça foi Adão ― a humanidade. Maria é desta raça, contraiu o débito do pecado ― ensinam os teólogos ― pecou em Adão, mas não contraiu a mancha deste pecado porque, no instante em que foi concebida, Deus lhe infundiu a graça santificante em virtude dos méritos de Cristo, impedindo que contraísse a mancha do pecado.

Assim Nossa Senhora foi remetida por Cristo como todos os homens. Somente os frutos desta Redenção copiosa lhe foram aplicados no instante em que Ela foi concebida. Daí o termo Imaculada Conceição.

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Orações para as Sextas-feiras

Dulcíssimo Jesus (Ato de Reparação – Papa Pio XI)

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda parte, alvejado o Vosso amorosíssimo coração.
Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos, a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo julgo da Vossa santa lei.
De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o magistério da Vossa Igreja.

Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada,Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, queVós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e renais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Consagração do gênero humano
ao Sagrado Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai sobre nós, que humildemente estamos prostrados diante do vosso altar, os vossos olhares. Nós somos e queremos ser vossos; e, a fim de podermos viver mais intimamente unidos a vós, cada um de nós se consagra espontaneamente, neste dia, ao vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos há que nunca vos conheceram; outros, desprezando os vossos mandamentos, Vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao Vosso Sagrado Coração.

Senhor, sede Rei não somente dos fiéis que nunca de Vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos que Vos abandonaram. Fazei que estes tornem quanto antes à casa paterna, para não perecerem de miséria e de fome.

Sede a Luz dos que vivem iludidos no erro ou separados de Vós pela discórdia. Trazei-os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que em breve haja um só rebanho e um só pastor.

Senhor, conservai unida a vossa Igreja e dai-lhe liberdade segura. Concedei a paz a todos os povos. Fazei que de um pólo a outro do mundo ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração divino, que nos trouxe salvação; honra e glória a Ele por todos os séculos. Amém.

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Roteiro de Adoração ao Santíssimo, por São Pedro Julião Eymard

Anima Christi - Alma de Cristo

I. Jesus No Santíssimo Sacramento

Perante quem estou eu?

1. ° – A santa Igreja responde-me: estais em Presença de Jesus Cristo, vosso Rei, vosso Salvador e vosso Deus.

Adora-O, ó minha alma, com a fé do cego de nascença, quando, reconhecendo seu benfeitor, prostrou-se diante de Jesus e O adorou tão humildemente.

Adora-O com a fé de Tomé, e dize com ele:


“Vós sois meu Senhor e meu Deus!”


Eu, porém, não vejo a Jesus como o discípulo do Cenáculo. É verdade, mas, diz o Salvador, “felizes daqueles que creem sem ver com os olhos”, sem tocar com as mãos!

A Igreja mostra-me meu Salvador e meu Deus velado sob a forma de uma Hóstia, como o precursor O mostrava sob a forma de um Homem simples, perdido no meio do povo, como Maria O mostrava aos Magos sob a forma de um Menino, de um Infante.

Adora-O, pois, ó minha alma, com a fé dos reis de Belém, e oferece-Lhe o incenso de tua adoração, como a teu Deus; a mirra de tua mortificação, como a teu Salvador; o ouro de teu amor e o tributo de tua dependência, como a teu Rei!

2. ° – Mas por que não se revela Jesus a mim em todo o Seu esplendor, por que não se mostra abertamente aos meus olhos?

Para provar a minha Fé, para torná-la humilde e dócil, submissa à autoridade da Santa Igreja, Sua esposa e minha mãe, que me fala em seu Nome.

Que necessidade tenho eu, aliás, de ouvir, de tocar, para crer na Presença Real de Jesus na Hóstia Santa? Será que Sua Palavra divina não me basta? Ninguém exige mais de outrem para crer nele. E pode Sua promessa iludir-me? Pode Sua Igreja mentir? Podem os santos que creem, adoram e amam a Jesus em seu divino Sacramento, estar todos no erro e na ilusão?

Ah! Fosse eu mais humilde, mais puro, mais fervoroso, e Jesus se manifestaria mais ainda a meu coração. Eu havia de sentir como João Batista a vizinhança desse fogo divino; havia de senti-lO em mim, como Maria, quando O trazia no seio. A luz da Fé penetraria minha alma como raios do sol a iluminar o cristal transparente!

Creio, ó meu Senhor e meu Deus, creio e adoro, com a Santa Igreja, Vosso Corpo, Vosso Sangue, Vossa Alma e Vossa Divindade substancial, real e verdadeiramente presentes na Hóstia Santa!

Creio, mas aumentai a minha Fé. Dai-me uma Fé simples, tal a da criança; viva, tal a chama de amor; forte, tal a dos Mártires; dedicada, tal a dos Apóstolos!

Para quem está Jesus no Santíssimo Sacramento?

1.° – Para mim! Porque me ama!

Seu amor O levou a entregar-Se por mim aos sofri­mentos e à morte da Cruz, e fê-lO também instituir esse memorial de Sua Paixão e Morte, pelo qual quer alimen­tar a minha alma.

2.° – É todo meu no divino Sacramento! Tenho-O todo inteiro, assim como está no Céu, com todas as ri­quezas de sua Glória, assim como estava na terra, com todas as virtudes de Sua Morte. Nada tenho, portanto, a invejar aos Apóstolos que viveram ao Seu lado, nem aos Santos que triunfam com Ele, senão o Seu amor.

3.° – Está no Santíssimo Sacramento só para mim. Recebo-O, adoro-O como se eu estivesse só no mundo. Pertence-me, como se não tivesse mais em quem pensar, não tivesse senão a mim para ouvir, para amar — ouso quase dizer, para servir!

Como poderei eu reconhecer tamanha Bondade, ta­manho Amor por uma criatura tão pobre, tão indigna! Mas, ó meu Jesus, Vosso Amor vos perturba e vos ilude! Esqueceis o que fui, o que ainda sou!

E pela Santa Igreja, pelos Santos e Anjos que Vos ofereço meus agradecimentos; é com Maria, minha Mãe, que quero celebrar Vossa Misericórdia e cantar o Magnificat, cântico sublime da gratidão!

Por que está Jesus no Santíssimo Sacramento?

1.º – Jesus esta no Santíssimo Sacramento para me curar. Estou com a febre do pecado, coberto de chagas, e minha alma está atacada da lepra – eis o meu médico!

Ele vem, esse bom samaritano, para me purificar, me fortificar, me restituir a saúde da alma.

Como me é necessário! Há tanto tempo que sofro! As chagas de meus pecados são tão antigas; o hábito do mal está tão inveterado em mim; as tentações de cada instante irritam acerbamente essas chagas, e mantêm em atividade esse foco de pecado!

Mas dizei, ó Jesus, uma palavra, uma só palavra, à minha alma, como à sogra de Pedro ardendo em febre, como ao centurião para o filho agonizante, como ao leproso da estrada, e minha alma ficará sarada!

2.° – Jesus está no Santíssimo Sacramento para ser meu Mestre, para educar-me, ornar-me com Sua Graça, dar-me seu Espírito de Verdade e de Amor, formar em mim Seus costumes e Suas virtudes, numa palavra, para fazer minha educação cristã. É o meu preceptor divino, meu modelo, minha graça.

Jesus está no Santíssimo Sacramento como meu Salvador. Chega-se a mim para comunicar-me as Graças da Redenção, aplicar-me os Seus Méritos, fazer correr o Seu Sangue divino sobre o meu corpo e minha alma.

Por isso permanece no altar do sacrifício como mi­nha Vítima de propiciação, implorando ao Pai graça e misericórdia para mim.

Mas, para que o Seu sacrifício possa produzir frutos abundantes, Jesus pede-me que eu o complete, que me una a Ele, que sofra em Seu lugar, já que, ressuscitado, não pode mais sofrer.

Dará, em troca, um preço e um valor infinitos a minhas penas, a meus sofrimentos; revesti-los-á dos pró­prios Méritos de Sua Pessoa divina, e fá-los-á seus. Será então a Redenção, a Paixão e a Morte do Calvário, re­novada e reproduzida em mim pela Eucaristia!

Que quer Jesus de mim em troca?

1.° – Quer que eu O ame como Ele me ama; que O ame pelo menos tanto quanto o filho ama aos pais; Ele, o melhor dos pais, a mais terna das mães.

Que O ame como o amigo régio, amigo fiel dedica­do, imortal, amigo dos dias bons e maus!

Nada de mais digno.

2.° – Quer que O sirva pelo menos tão bem quanto o mercenário serve ao patrão; quanto a honra e a ambição servem ao rei poderoso; quanto a piedade filial serve ao pai venerável, para que não seja dito que Jesus é menos bem servido que o homem!

Nada de mais justo.

3.° – Quer que Lhe preste a homenagem de minha vida, de minha liberdade, de meu ser integral, já que Jesus me consagra ao Sacramento e me dá Suas Graças, Sua liberdade, Sua Vida, tudo quanto tem, tudo quanto é!

Nada mais equitativo.

4.° – Quer Jesus, finalmente, reinar em mim – e nada mais ambiciona!

Eis aí Sua Realeza de Amor, o fim de Sua Encarna­ção, de Sua Paixão, de Sua Eucaristia!

Reinar em mim, reinar sobre mim, reinar em minha alma, em meu coração, sobre toda a minha vida, sobre meu amor, é o segundo céu de Sua glória!

Ah! Senhor Jesus, vinde e reinai! Seja meu corpo Vosso templo; meu coração, Vosso trono; minha vontade, Vossa serva dedicada. Seja eu todo Vosso para sempre, não vivendo senão de Vós e para Vós!

II. Jesus, Deus conosco

1.º – Adorai a Nosso Senhor Jesus Cristo instituindo e perpetuando o Seu Sacramento de Amor, para perma­necer sempre com o homem, seu amigo, e consolá-lo em seu exílio; para ser o Pão de Vida de sua viagem à eter­nidade; sua Vítima de salvação; seu Paraíso incipiente.

2.° – Agradecei-Lhe a Bondade infinita que O levou a amar de tal forma o homem; que Vos deu, a vós, o conhecimento de Seu Amor Eucarístico; que Vos chamou a Seu serviço Eucarístico, a mais sublime das vocações, apesar de vossa indignidade e de vossa miséria.

3.° – Fazei-Lhe reparação de amor por serdes tão tí­bio, tão indiferente, tão ingrato, tão culpado para com a divina Eucaristia; fazei reparação por aqueles a quem escandalizastes, pelos vossos parentes e amigos, por todos os pecadores.

4.° – Dai-vos, consagrai-vos ao Seu serviço Eucarís­tico, como servo dedicado ao serviço do Senhor, como soldado valoroso ao Rei, como adorador fiel a seu Deus.

III. Jesus, Deus de Bondade

1.º – Adorai a Nosso Senhor Jesus Cristo, que faz da Santíssima Eucaristia o Cenáculo permanente de Seu Amor, e convida todos os homens, e cada qual em particular, a vir haurir plenamente nesse tesouro universal e inesgo­tável de todas as Graças; a participar desse Banquete divino de Si mesmo; a receber a Comunhão Sacramental, pela qual dá ao homem tudo o que tem e tudo o que é, a fim de que o comungante, em troca, se dê todo a Ele e Lhe preste a homenagem de sua vida.

2.° – Agradecei o Amor imenso do Dom inefável da Eucaristia, que encerra a todos os dons; agradecei-Lhe todas as Graças recebidas pela Eucaristia.

3.° – Humilhai-vos à vista da pouca glória que ten­des rendido ao Seu Amor; chorai vossa ingratidão, implorai a Graça de Sua Misericórdia infinita.

4.° – Tomai-vos o discípulo e o apóstolo do Deus da Eucaristia, da ação de graças eucarística tão negligencia­da, tão malfeita, e que, no, entanto, é a primeira virtude do amor, a mais bela flor da Eucaristia.

IV. Jesus, Deus oculto

1.° – Adorai com Fé viva a Jesus velado por Amor ao homem no Santíssimo Sacramento.

Adorai Sua Bondade velando Sua Glória a fim de que o homem ouse aproximar-se de Seu Senhor e de Seu Deus e conversar familiarmente com Ele.

Adorai Sua Santidade velando, a fim de não desani­mar a fraqueza do homem, o brilho e a perfeição de Suas Virtudes, e lhas revelando aos poucos, e assim elevá-lo a Si.

Adorai Sua divina Misericórdia, que, para forçar o homem a recolher-se em Deus, vela Sua santa Humani­dade e a beleza de Sua Divindade, a fim de que o adorador vá a Jesus pela Fé pura, pelo puro amor, e assim O adore em espírito e em verdade.

2.° – Dai graças a Nosso Senhor por esse véu euca­rístico que vos mereceu tantos bens, e que vos tempera esse sol da eternidade.

3.° – Humilhai-vos perante o Vosso Deus, como que aniquilado sob as espécies sagradas; reparai todas as irreverências e sacrilégios de que Jesus velado é objeto por parte de tantos cristãos. Pedi perdão pela vossa falta de Fé, de recolhimento, de respeito, em Sua santa Presença.

4.° – Honrai com grande devoção externa e com grande amor o Deus oculto, desconhecido do mundo, mas visível à vossa Fé, caro ao vosso coração, e que constitui a felicidade de vossa vida.

V. Jesus Salvador

1.° – Adorai a Jesus Sacramentado como vosso Sal­vador.

Seu Amor fez da Eucaristia o calvário perpétuo da Redenção. Jesus aí está sobre o Altar em estado de Ví­tima, como na Cruz. E aí nosso mediador perpétuo junto ao Pai, mostrando-lhe Suas Chagas para merecer-nos graça. É nosso advogado poderoso, continuando sobre o altar Sua oração do Calvário. Faz correr sobre nós esse Sangue que nos remiu e que nos santifica a alma e o corpo. Adorai as cinco Chagas de Jesus, donde brotam, em abundância, Graças e Amor.

2.° – Oferecei em ação de graças a esse bom Salva­dor a homenagem de vosso corpo e de vossa alma; o amor e a gratidão de vossa santa Mãe a Igreja, a da Santíssima Virgem ao pé do Tabernáculo.

3.° – Fazei reparação de amor a Jesus, crucificado pelos Seus próprios filhos, até no Sacramento de Seu Amor e em Seu estado de Glória; fazei reparação a esse Coração que tanto amou os homens e que só recebe deles ingra­tidão e desprezo. Esses ingratos ferem-Lhe profundamente o Coração, tornando Sua Paixão estéril, e privando-se dos méritos de Seus sofrimentos e de Sua Morte.

4.° – Oferecei-vos como vítima de reparação a vosso amável Salvador, a fim de consolar-Lhe o Coração deso­lado e abandonado; oferecei-vos como mediador de mise­ricórdia entre Jesus e as almas culpadas e dizei-lhe:


Ó Jesus, Salvador de todos os homens, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Estão entregues ao delírio das paixões e à loucura da razão. É Vosso inimigo, o demô­nio, que os impele à incredulidade e à impiedade, pelo ódio à Vossa glória; perdoai-lhes, como outrora perdoastes aos Vossos carrascos, a fim de que sejam a mais bela coroa de triunfo de Vossa Misericórdia.


VI. Jesus, o Emanuel

Consideração

O amor pede três coisas: sociedade de vida, comu­nhão de bens, união com a pessoa amada.

O amor de Jesus dá-nos estes três bens na sagrada Eucaristia.

1° – Sociedade de vida: Jesus escolheu Sua morada junto à do homem, até habitar frequentemente sob o mesmo teto. Que alegria para a amizade!

2.° – Comunhão de bens. Jesus, na divina Eucaristia, nos dá todos os Seus bens, bens de Sua Graça e bens de Sua Glória, todos os Seus Méritos, todo o poder de Sua media­ção junto ao Pai celeste. Quantas riquezas num só dom!

3.° – União. O amor pede união, fusão, transforma­ção de vida. Quer fazer um só de dois corações; é a união com o Corpo, com a Alma, com a Divindade de Jesus Cristo; é a extensão da Encarnação no comungante. Jesus disse:


“Aquele que come o meu Corpo e bebe o meu Sangue permanece em mim e eu nele”


Que troca ditosa! Que vida divina!

Afetos

1.° – Adorai a Jesus na Hóstia Santa pela homenagem soberana de vosso espírito, como sua Verdade suprema; de vosso coração, como seu Deus; de vossa vontade, como seu Senhor; de vosso corpo, como seu Salvador, de toda a vossa vida em holocausto de louvor e de amor.

2.° – Agradecei a esse bom Mestre ter-vos dado a sagrada Eucaristia, ter-vos chamado ao serviço de ado­ração, à Comunhão frequente, pois não há na terra maior bem, nem mais doce consolação.

3.° – Fazei reparação de amor por terdes correspon­dido tão mal às solicitações de Seu Amor; por terdes aproveitado tão pouco das Graças da santíssima Eucaristia; por terdes sido tão generoso em se tratando do amor das criaturas, e tão mesquinho e ingrato em se tratando do Amor Eucarístico de Jesus.

4.° – Consagrai-vos de novo a Seu real serviço, ao Seu soberano Amor, à Sua maior Glória.

Visitai amiúde esse bom Salvador, pelo menos em espírito de amor; dai-vos todo a Ele, como Ele se dá todo a vós; amai-vos nele, a fim de que Ele se ame em vós; oferecei-Lhe hoje o sacrifício mais penoso ao coração, e dareis prova da sinceridade de vosso amor.

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Devoções a São José, consistindo em cinco orações

Devoções a São José, consistindo em cinco orações

Para eleger São José como padroeiro.

Ó São José, fiel guardião e pai nutrício do meu Redentor Jesus Cristo, castíssimo esposo da Mãe de Deus! Eu, _______, vos escolho hoje como meu padroeiro e advogado singular e proponho firmemente nunca vos abandonar nem permitir que qualquer pessoa faça algo contra a vossa honra. Peço-vos, pois, suplicante, que vos digneis me acolher como vosso protegido perpétuo, instruir nas dúvidas, consolar nas adversidades e, por fim, defender e proteger na hora da morte. Amém.

Para alcançar, por intercessão de São José, a graça de comungar piedosamente.

Ó santíssimo José, que grande graça vos foi concedida por Deus, porque não somente vistes, mas também tomastes entre os braços com paterno afeto ao seu Filho unigênito na carne (a quem tantos reis em vão quiseram ver)! Oxalá eu, inflamado por este vosso exemplo e ajudado por vosso patrocínio, receba ao meu Senhor e Redentor Jesus Cristo com igual afeto de amor e reverência no santíssimo Sacramento do Altar, de modo que mereça recebê-lo depois para sempre no céu. Amém.

Para alcançar a companhia e a direção de São José nos caminhos desta vida.

Ó São José, que como pai e mentor conduzistes fielmente a Jesus Cristo na infância e na juventude por todos os caminhos da peregrinação humana, assisti-me também a mim, eu vos peço, na peregrinação de minha vida como companheiro e guia, e não permitais nunca que eu me desvie do caminho dos Mandamentos de Deus. Sede nas adversidades proteção, nas provações consolo, até que eu finalmente chegue à terra dos vivos, onde convosco e vossa santíssima esposa, Maria, e com todos os santos exultarei para sempre em meu Deus, Jesus Cristo. Amém.

Para alcançar qualquer graça pela intercessão de São José.

Ó São José, a quem Jesus nesta terra sujeitou-se e prontamente obedeceu, e a quem tratou sempre com singular reverência e amor! Como Ele nos céus, onde agora são recompensados os vossos méritos, vos irá negar alguma coisa? Orai por mim, ó São José, e alcançai-me antes de tudo a graça de detestar seriamente e fugir a todos os pecados, especialmente a estes: _______; de emendar para melhor minha vida; de me dedicar constantemente ao exercício das virtudes, especialmente destas: _______; e de me ver livre destas tentações: _______, das ocasiões de pecados, que podem pôr minha alma em perigo de condenação, e desta aflição e miséria: _______, a não ser que isto se oponha à vontade divina e à minha salvação. Em tudo isso, em todas as outras coisas, porém, submeto-me e confio-me à providência e disposição divinas e à vossa paterna proteção, ó São José. Amém.

Para alcançar uma morte feliz.

Ó São José, que nos suavíssimos braços de Jesus, vosso protegido, e de vossa santíssima esposa, Maria, migrastes desta vida, socorrei-me, ó santo pai, com Jesus e Maria, sobretudo quando a morte vier pôr fim à minha vida; e alcançai-me (é a única coisa que vos peço) o consolo de expirar nos mesmos braços santíssimos de Jesus e de Maria. Em vossas mãos, na vida e na morte, entrego o meu espírito, Jesus, Maria e José. Amém.

Estas orações foram extraídas do célebre livro devocional Coeleste Palmetum (7. ed., 1879, pp. 296-297) e traduzidas do latim pela equipe do Padre Paulo Ricardo.