As perseguições romanas

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Difusão do Cristianismo

Com espantosa rapidez difundiu-se o Cristianismo. Nos convertidos de Pentecostes havia judeus de todo o Império Romano, que levaram a Boa Nova para suas províncias. A perseguição de Jerusalém, dispersando os cristãos, facilitou a expansão do Evangelho, tão certo é que Deus tira o bem do mal.

As viagens de São Paulo levam o Evangelho a muitas cidades, algumas das quais já estavam sendo doutrinadas.

Em breve, o Evangelho tinha chegado às Gálias, à Bretanha, à Germânia, a toda a Itália atual.

No Egito, Alexandria era um centro de irradiação cristã, como Antioquia, na Síria. A Ásia menor estava coberta de Cristandades. Na África ocidental diz Tertuliano (segundo século) que a maior parte dos habitantes das cidades eram cristãos.

São Justino (segundo século) afirma: “Não há povo, grego ou bárbaro, no meio do qual não se ofereçam ações de graças ao Pai, em nome de Cristo crucificado”. Santo Inácio de Antioquia diz que a Igreja já se estendera “até as extremidades do mundo”.

O número de mártires dos três primeiros séculos mostra qual era a extensão do Cristianismo.

Causas da difusão

Mencionemos algumas :

  1. O Cristianismo dava resposta satisfatória ao problemas de Deus, da alma, da imortalidade, do castigo e da recompensa – que sempre atormentaram o espírito humano.
  2. Os povos que o Império Romano escravizara, despojando-os ainda de suas religiões, encontravam no Cristianismo a desejada esperança de uma vida melhor.
  3. A um mundo de escravos, de oprimidos, de céticos, o Evangelho trazia a liberdade, o conforto moral e a verdade.
  4. A vida exemplar dos cristãos, a caridade com que tratavam até aos desconhecidos, a fraternidade que mostravam para com os pobres, escravos, mulheres e enfermos (que o paganismo desprezava) , encantavam a todos, num pobre mundo em que o ódio eliminava facilmente o pai ou o irmão.
  5. A convicção com que falavam de de sua Religião, a coragem em face dos mais terríveis martírios e sobretudo os milagres estupendos que realizavam, faziam milhares de adeptos.
  6. O zelo transformava cada cristão num apóstolo. O mercador ambulante, nas suas viagens; o soldado, na sua tropa; o prisioneiro, nas regiões para onde levado; a mulher, no lar e na sociedade – eram verdadeiros missionários. Os escravos tiveram uma influência notável, pela intimidade nas famílias e na educação das crianças que lhes eram confiadas.
  7. Tudo era ainda facilitado pela língua grega, falada em quase todo o Império.
  8. Acima de tudo estava a força da verdade, poderosa por si para atrair os homens retos.

Estes vários elementos se juntaram para atestar o caráter divino do Cristianismo, cujo êxito era tão superior à natureza humana.

Obstáculos

Havia também dificuldades à difusão do Cristianismo.

  1. Suas exigências morais espantavam aos pagãos, acostumados a viver segundo as próprias paixões.
  2. Suas doutrinas eram totalmente contrárias à mentalidade pagã.
  3. O povo estava acostumado ao culto dos ídolos e custava-lhe abandoná-lo.
  4. O Cristianismo contrariava os interesses – dos sacerdotes pagãos (que perdiam seu prestígio) dos mercadores de ídolos (que perdiam o seu negócio) (cf. Atos 19, 25).
  5. O orgulho dos homens cultos não se queria dobrar aos mistérios da fé, principalmente quando ensinados por ignorantes, saídos dos execrados judeus.
  6. Prejudicavam imensamente a aceitação do Cristianismo as graves acusações que pesavam sobre os cristãos: a) inimigos do Império, por não seguirem a religião oficial e não prestarem culto divino ao imperador; b) inimigos do gênero humano, responsáveis por suas impiedades, pelos flagelos que os deuses desencadeavam sobre o Império (fome, peste, guerra); c) inimigos das leis, porque organizavam reuniões próprias, não participavam das solenidades idolátricas, etc.

Eram estas também em geral as causas das perseguições aos cristãos.

As dez perseguições

Não foi difícil a Nero atirar aos cristãos a culpa do incêndio de Roma (ano 64), dizem que provocado por ele próprio.

Começaram então as perseguições romanas que, embora mais numerosas, são chamadas dez, e duraram até o século IV. Os perseguidores davam à sua atuação
uma feição diferente:

Nero queria o número; Domiciano (81-96), preferindo a qualidade, martirizou, além de São João Evangelista, seu próprio primo Flávio Clemente e expatriou-lhe a esposa Domitila; Trajano (98-117) volta ao princípio de Nero de que “Christia­ nos esse non licet”; Marco Aurélio (161-180) juntou o número à qualidade: extinguia os intelectuais como inimigos de sua filosofia (São Justino, apologista, em 163 ) , os de alta sociedade pela influência que podiam exercer (Santa Cecília, de estirpe senatorial, em 177), e o povo cristão, considerando a peste e a fome que assolavam o Império castigo dos deuses aos crimes cristãos.

Desde Sétimo Severo (202-211) as perseguições se voltarão diretamente contra a Igreja como tal. Impressionado com o crescimento do Cristianismo, Sétimo Severo proíbe as conversões ao Cristianismo, sob pena de morte, sem qualquer outra acusação. Isto tornou a quinta perseguição mais terrível que às anteriores.

Uma boa trégua deu aos cristãos maiores oportunidades. Alexandre Severo (222-235) chegou a conceder-lhes em Roma um logradouro público para o culto divino, que saía assim das catacumbas.

Em seguida Maximino (235-238) derrubaria os templos que eles construíram, e procuraria destruir a pr6pria Igreja, orientando-se especialmente contra o clero.

Para restabelecer o prestígio do Império, Décio (249-2 51) decidiu suprimir o Cristianismo ameaçador. Seu fito era levar os cristãos à apostasia. A morte era apenas para os que não queriam renunciar a Cristo.

Infelizmente, a paz de quarenta anos (tirados apenas os três anos de Maximino) tinha enfraquecido a vida cristã A resistência espantou o imperador, mas as defecções raríssimas até então, foram bem numerosas. Os apóstatas eram escarnecidos com o nome de decaídos (lapsi) e excluídos da comunidade cristã.

Valeriano (253-260) organizou verdadeira caça ao clero: poupavam-se os que apostatavam; os outros eram executados sem julgamento, como os Papas Estêvão
e Sixto II e o célebre diácono Lourenço. Datam de então as galerias de despistamento das catacumbas, para dificultar as buscas. As atitudes dos mártires acenderam o ânimo dos cristãos. Os vultosos bens da Igreja, doados pelos fiéis nos tempos da paz, foram confiscados. Mas Galiano (2 60-269) restituiu templos e cemitérios, chegando até a considerar o Cristianismo uma religião lícita.

Depois de um decreto de Aureliano (275) contra os cristãos, que a morte mal lhe deu tempo de executar, só em 303 rebenta nova perseguição que será a mais tremenda, embora também a última. Diocleciano (283-305) ordenou a destruição dos livros sagrados, a cessação das reuniões e a morte a todos os cristãos que não abjurassem. Por todo o Império foi tal a devastação, que ele julgou ter exterminado os cristãos, e levantou monumentos com esta inscrição: Nomine christianorum deleto.

Mons. Álvaro Negromonte,
Vitória sobre a força, Livro História da Igreja

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